quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Aquecimento Global e a Amazônia



O Estado do Amazonas é um ponto deveras estratégico para a aplicação de políticas de preservação e pesquisa. No entanto o que se percebe são atitudes cada vez mais atropeladas e imediatistas, no intuito de amenizar uma discussão verdadeiramente séria sobre as demandas reais para a preservação e sustentabilidade.

No município de Carauari, por exemplo, há duas reservas ambientais, uma determinada por lei federal e outra por lei Estadual. A primeira a ser instituída foi a Reserva Extrativista do Médio Juruá, criada em 97. Antes de sua instituição foram apregoadas as mais lindas vantagens para os que habitavam a área de reserva, que abrange somente um lado do rio, deixando as Comunidades que habitavam no outro lado, fora das vantagens expostas. Isto passou a gerar uma migração, onde os ribeirinhos da outra margem, no intuito de se beneficiarem também, deixaram seus lares (onde foram criados, possuíam conhecimento de área e até mesmo enterraram seus parentes). Ou seja, entre suas raízes e a necessidade, tiveram de optar em rasgar a construção de várias gerações para começar de novo. Alguns anos se passaram e o que fora prometido estava absurdamente longe da realidade. Com uma equipe reduzidíssima, sem equipamentos suficientes e com atraso de verbas, o IBAMA local buscava cumprir o que lhe fora empurrado goela abaixo. A verdade é que a Reserva era um sonho bonito assinado por alguém que nunca quis saber o que estava se passando.

Ante a demanda provinda dos moradores da outra margem, o Estado então entra em cena Decretando a criação da RDS-UACARI. Ante a proximidade dos órgãos governamentais envolvidos, o processo de organização da RDS se deu mais rápido. Disto, uma certa ciumeira passou a existir (apesar de negada), gerando alguns empasses entre os moradores de ambas reservas.

Você já ouviu falar de decisão de gabinete? Bem, ambas reservas são bons exemplos disto. Gestores e ONGs se preocupam em dar satisfação para os grandes centros, desconsiderando o que pensa ou o que realmente demandam os moradores da floresta. Defendem os técnicos se utilizando de pesquisas sobre o impacto ambiental, mas pouco se fala sobre o impacto social, não somente da área protegida, mas de seus adjacentes.

Atualmente o tema em foco está o do Aquecimento Global. Me preocupa bastante o assunto, não somente pelas causas que já são notórias, mas sim pelo comprometimento que algumas medidas podem causar. Nesse novo cenário, outras reservas podem surgir e, de que nos adianta tais medidas se o próprio país não cuida devidamente do que diz preservar?! Com escassez de pessoal e equipamento necessário, o IBAMA finge que cuida e o ribeirinho, em espectativa, alimenta sonhos de melhora de vida.

Basicamente o trabalho realizado em tais reservas é tão somente de manutenção ultra-básica. O investimento em pesquisa e em geração de novos conhecimentos que poderiam estar a serviço do País não existem. As investidas para a geração de renda são absurdamente tímidas e o mundo agora grita pela preservação. E agora? Vamos mais uma vez pisotear as características regionais face o "bem mundial"?! E se o for fazer, quais novos discursos irão utilizar (já que o homem ribeirinho não consegue entender a preservação onde ele próprio não esteja incluso no bioma protegido)?
É bom o Brasil começar a definir claramente sua postura e ações ante essas novas demandas ambientais, ou então, os "filhos deste solo" serão tutelados por outras nações por não serem devidamente cuidados pela "Mãe Gentil".

E agora?
Michael Serafim

5 comentários:

Allan disse...

Muito bom!!

Que seja mas um passo para o mundo de conquistas e realizações.

Parabéns pela iniciativa!

Unknown disse...

Caro Michael... Este é um assunto que está na moda....
É necessario que se faça um política coerente e verdadeira para que o sol não seja tapado com a peneira...
Está é uma situação no minimo engraçada.. o homem tentando salvar oque ele mesmo destruiu....

Anônimo disse...

Adorei o blog. É leve, tem conteúdo. O artigo sobre o aquecimento global tá muito legal. Vou continuar a passar por aqui
Um beijo
da irmã de Belém do Pará
Alinne Passos

Anônimo disse...

Realmente você parece ter estudado um pouco sobre o assunto, porém a complexidade exige mais do que essas poucas escritas deixadas pelo colega, são lindas, mas e aí, o que você tem feito para mudar essa situação visto que cada pessoa deve fazer não só a sua parte, mas a do seu irmão. Então meu estimado amigo e irmão em Cristo só escrever não basta.
De um colega seu de Carauari.

Anônimo disse...

Ao Anônimo de 12/01/2008:
Chamar sua atenção e de outras pessoas para o assunto é fazer a minha parte e a do "irmão" tbm. Fico contente ao perceber que sua visão foi completa ao dizer que há mais complexidade no assunto. Sim, realmente. Não me propus em resolver o assunto com o que escrevi, mas tomar parte ativa na discussão e isto tão somente não basta, mas contribui.
Será sempre um imenso prazer receber seus comentários e sugestões. Esta Ágora é sua tbm. Cordialmente.