segunda-feira, 12 de março de 2007

‘Take there and give here’


Bush pega Lula pelo braço. Arrasta-o para um canto.
- Lula, eu morrer de inveja de você.
- Como assim?
- You não ter problemas no Congress. Por isso ter esse aparência sempre bem disposta.
- Nem tanto, nem tanto, companheiro Bush...
- Eu não saber mais o que fazer. Desde que as democratas viraram maioria in the Congress, o Nancy Pelosi não larga do meu pé. Do you know Nancy Pelosi?
- Sim, claro. Aqui nós chamamos de Renan Calheiros. Só que não usa saias.
- Não ter comparação. Nancy é um ressentida.
- Você não conhece o Renan Calheiros!
- Diga, Lula. O que eu deve fazer para amansar o Congress?
- Sei lá. Cada país tem a sua realidade.
- Please, Lula, não esconde a jogo. Pedi ao CIA para investigar os razões do seu sucesso.
- Não diga!
- Eu veio ao Brasil para conhecer o seu fórmula.
- Sei, sei, a fórmula do etanol.
- No, no. O fórmula do take there and give here.
- Como é?!?!?
- Take there and give here.
Lula faz sinal para o tradutor, que se achega.
- Que p... é essa que o Bush está dizendo?
Bush, algo impaciente, repete:
- Take there and give here.
O tradutor, virando-se para Lula, desfaz o mistério:
- Ele disse ‘toma-lá-dá-cá’, presidente.
- Ah, então é isso?!?!?
- Yes, that's it. Como funciona o coisa?
- É muito simples, companheiro Bush. Você chama a Nancy Pelosi à Casa Branca e...
Lula fala por ininterruptos 15 minutos. Bush, olhos injetados, ouve com atenção.
- Muito interessante. Eu ter vontade de fazer, but o tradição dos Estados Unidos talvez não permite.
- Posso dizer uma coisa, companheiro Bush.
- What?
- Sem ofensa. Esse negócio de tradição é uma tremenda bobagem.
- But, but...
- Frescura.
- O que eu vai dizer ao imprensa. No primeira entrevista coletiva as repórteres vão me imprensar.
- Entrevista coletiva?!?!?! O que é isso, companheiro?
- Você não dar entrevistas coletivas?
- Claro que não!
- Oh fuck! You brazilian have um civilização mais evoluído do que nós imaginar. Nós ter muito a aprender.

Escrito por Josias de Souza, colunista da Folha de São Paulo. (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/, em 11/03/2007)
Ainda que isto se trate de uma bem humorada crônica, o "toma-lá-dá-cá" não é algo nada engraçado, pois acontece em contraste com a vontade coletiva, sempre objetivando metas individuais e politiqueiras com recursos públicos. Não é nada engraçado sermos observados como nação onde a corrupção é tão normal como uma piada em roda de amigos। Há quem defenda que o motivo de tais práticas são possíveis somente quando os mesmos agentes continuam à frente das ações governamentais. Mas Lula era a novidade, a esperança de renovação dos "métodos" de fazer política. No entanto, a "renovação" nada mais foi que um presidente barbado.
E agora?
Michael Serafim

Um comentário:

Felipe Nascimento disse...

Lula era o ideal, há uns anos atrás.
Mas deixou de ser quando vimos quem é Lula.
Acho que o mais foda disso tudo é o presidencialismo.
Uma nação como o Brasil nunca vai se dar bem com esse modelo de governo...
Aí que tá: nem vai mudar o modo de governo, nem vai aparecer um super-presidente.

Pessimista, eu?
Talvez...